Anedota
(Mário Liz)A Verdade cospe vidros. Esfola a alma, retalha. Um verbo de navalha lambido nos cortes. Verbos de morte no meu teatro. Retrato que me restou. Finda fantasia com cheiro de festa. Num sopro se foi...
Agora sou Eu, a Verdade, Ela em mim, amarga em feto, meio e fim. Ela e Eu, Eu por ninguém, além do que o sonho ousa suportar. Vou me portar miúdo, meio gago, meio mudo, meio medo, meio mundos e dedos na face.
O paralelo era doce. Elos que criei, pára-choques. Não fosse a Verdade, eu seria Quixote. Um filhote de pássaro permeando sonhos no céu.
Mas Ela amputa asas. Enxuta, seca a fonte. No escuro, largueia entradas: uma caixa de fósforos, um novo horizonte. E tudo se molda conforme a roda. A dor se põe a girar.
E no Giro a Poesia me vem em confetes e tiras: não sabe se traga a verdade. Ou me abranda em velhas-novas-mentiras.